A Geologia da Região

Xisto na Mata da MargaraçaA Serra do Açor está situada no limite das três Beiras e, em termos geológicos há um claro domínio do xisto que faz parte do Complexo Xisto-Grauváquico, do período geológico do Câmbrico ou Pré-câmbrico (xisto-arenito-porfiróide), com mais de 500 milhões de anos.
Este domínio do xisto, associado ao sistema de dobras e fraturas que o atravessam, origina um relevo vigoroso, mas de contornos arredondados, sulcado por vales com grandes quedas de nível e linhas de água encaixadas e onde, por vezes, se encontram curiosos acidentes geológicos, como o das quedas de água da Fraga da Pena. Surgem ainda alguns afloramentos quartzíticos, cujo exemplo mais interessante são os Penedos do Fajão.
A Serra do Açor está condicionada por dois acidentes tectónicos, duas grandes falhas e de outras mais pequenas, uma que delimita a Cordilheira Central, a Norte, a falha da Lousã e, outra a Sul, a falha da Sobreira Formosa.
Estas falhas transformam a Cordilheira Central num jogo de blocos, com dois Horts (blocos mais levantados) e um Graben (bloco descido) no centro e provocam um cavalgamento de um e de outro lado, o que faz com que a Cordilheira esteja, desde há muito tempo, há cerca de 40 M. a., em levantamento o que se comprova com depósitos de cobertura de cor alaranjada, mais recentes e que são visíveis, por exemplo em Coja onde foi feito o seu aproveitamento na Cerâmica da Carriça e,em Arganil, na Cerâmica Arganilense.
Nestes depósitos de cobertura, para além das argilas, observam-se estruturas constituídas por material conglomerático grosseiro, essencialmente de xisto, o que as torna únicas pois normalmente são de quartzitos. Estas estruturas estão associadas a diferentes condições climáticas, muito diferentes das atuais, nomeadamente um clima mais árido mas com períodos de fortes chuvas que eram responsáveis pelo transporte do material grosseiro (calhaus de xisto e alguns de quartzo) que as constituem. Observa-se nestes depósitos de barrancos uma deposição de camadas alternadas de uma amálgama de material caótico, de calhaus misturados com material fino. Distingue-se bem de zonas onde o transporte é fluvial pois os materiais não estão ordenados.

Xisto na Mata da Margaraça Xisto Mata da Margaraáa 1 DSCF0143 DSCF0135 DSCF0121 DSCF0118 cristas quatzíticas 1 cristas quartzíticas Conglomerados